Julio César Fernandes
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Textos


Amores Clandestinos


 

Em meio ao caos da vida cotidiana, onde rostos se cruzam e vidas se entrelaçam, há amores que florescem nas sombras, longe dos olhares curiosos. São encontros furtivos, sussurros trocados em cantos esquecidos da cidade, onde o tempo parece se curvar à intensidade do momento.

 

Cada toque é uma promessa, cada olhar, uma declaração não dita.

 

A cada café compartilhado, a cada risada contida, o mundo exterior se desfaz. Ali, entre palavras soltas e gestos sutis, a realidade se transforma em refúgio, um abrigo onde os corações se encontram sem medo.

 

Mesmo na brevidade desses instantes, a conexão é palpável, como se dois universos paralelos se unissem, criando um espaço onde nada mais importa.

 

Os amores clandestinos foram tantos e tão intensos que, de cada um, restou a lembrança de uma paixão ardente, impossível de esquecer.

 

A transitoriedade dos sentimentos não diminui sua profundidade; pelo contrário, cada momento vivido transborda numa explosão de sensações, onde o amor se revela em sua forma mais pura.

 

É nas lembranças que ele encontra sua plenitude: na intimidade, na descoberta, na entrega total.

 

Mas a vida, com suas regras e convenções, sempre encontra um jeito de interferir.

 

Há sempre um abismo a ser enfrentado, uma distância que se impõe quando as horas se esgotam e é preciso partir. A saudade se instala como uma sombra, um lembrete constante de que aqueles momentos foram preciosos, mas irreversíveis.

 

Nos dias seguintes, a rotina parece mais pesada, as cores mais opacas. A mente viaja de volta ao calor dos braços e abraços, ao conforto de saber que, mesmo que por pouco tempo, a felicidade foi plena.

 

É um amor que se alimenta de silêncios e olhares cúmplices, uma chama que arde com intensidade, mas que deve ser mantida escondida sob camadas de normalidade.

 

E assim, dia após dia, o ciclo se repete.

 

O desejo se transforma em arte, em poesia, em uma dança que desafia as regras do mundo.

 

Cada encontro clandestino é um capítulo de uma história não contada, um poema escrito entre as linhas da vida.

 

E, mesmo que nunca se torne oficial, permanece gravado na memória, como um eco suave de um amor que, mesmo oculto, é imensamente real.

 

Esses amores são como labirintos, cheios de curvas e desvios, mas também de descobertas e delícias.

 

Eles nos ensinam a apreciar a beleza do efêmero, a encontrar alegria nas pequenas coisas, a valorizar cada momento como se fosse o último.

 

E, assim, nos tornamos poetas de nossas próprias histórias, eternizando cada suspiro, cada gesto, cada instante que nos faz sentir vivos.

 

Ao final, o que importa não é a visibilidade do amor, mas a profundidade com que ele toca nossa alma.

Pois, mesmo nos recantos mais escondidos, onde o sol não brilha diretamente, o amor sempre encontra uma forma de florescer, revelando sua beleza nas nuances do viver.

 

E, ainda que efêmeros, esses amores intensos são as chamas que aquecem nossa existência, deixando marcas que jamais se apagam.

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Foto: Quadro "Amantes" _ Pierre Auguste Renoir 

 

Julio Cesar Fernandes
Enviado por Julio Cesar Fernandes em 01/03/2025
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