Um episódio da ditadura militar no Brasil ressurge no presente, trazendo à tona as atrocidades cometidas durante aqueles anos de escuridão.
O filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, resgata essa história com a sensibilidade e sofisticação próprias dos grandes cineastas. Sua chegada ao público global ocorre em um momento crucial, quando a extrema direita avança de forma alarmante pelo mundo.
Mais do que uma obra cinematográfica, o filme se tornou um fenômeno entre os jovens, que lotam os cinemas e se conectam com uma narrativa até então omitida das salas de aula e dos registros históricos. Para muitos, é a primeira vez que tomam conhecimento da repressão brutal ocorrida no Brasil.
Nesse contexto, a situação política dos EUA não pode ser ignorada. O país, antes considerado modelo de democracia, ruma cada vez mais para uma ruptura institucional. O atual presidente, com seu perfil imperialista, trabalha ativamente para modificar a Constituição e viabilizar um terceiro mandato — contando, para isso, com o apoio de Elon Musk e a pressão sobre o Partido Republicano e a Suprema Corte.
Diante desse cenário, acredito que Ainda Estou Aqui tenha grandes chances de vencer o Oscar de Melhor Filme e Melhor Atriz. Com certeza, os cineastas que votam na premiação nestes últimos três dias têm sensibilidade e empatia com os países que sofreram sob regimes de exceção.
Júlio César
28.02.2025 – 18h51